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sábado, 25 de agosto de 2018

Poéticas Periféricas no Parlamento Internacional de Escritores da Colômbia



Aconteceu hoje, 24 de agosto de 2018, no Salão Pierre Daguet, da Escola Superior de Belas Artes da Colômbia, em Cartagena das Índias, a palestra de Valdeck Almeida sobre a potência da poesia das quebradas, com o livro "Força Feminina: a poesia que liberta", resultado de oficinas ministradas pelo poeta Evanilson Alves, com jovens sob privação de liberdade na Case Feminina de Salvador. Foi apresentado, também, o livro "Poéticas Periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana", que reúne 100 poetas de saraus e slams de bairros da capital baiana. 


Com ênfase no perigo que a poesia e a palavra livre representam para o sistema, Valdeck Almeida de Jesus interagiu com a plateia repetindo que as minorias organizadas são perigosas para o sistema: poetas, mulheres, indígenas e jovens negros; e que a arte, especialmente a arte da palavra, é o antídoto para o enfrentamento. O refrão foi a frase “Quer ser perigoso, vá ler um livro”, do 
escritor e poeta baiano Sandro Sussuarana.

Em seguida apresentou a frase do poeta Giovane Sobrevivente, “A poesia chega antes da bala”, que resume bem as atividades de poetas que organizam a resistência contra as opressões e em favor da vida dos jovens negros.

Logo depois foi feita uma breve descrição do trabalho de seleção dos poemas e dos lançamentos do Poéticas Periféricas no Sarau da Onça, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo e na Festa Literária Internacional do Pelourinho.

Foi denunciada a violência e o genocídio da juventude
negra, com os números estarrecedores de 60 mil vidas ceifadas por ano. Para concluir, Valdeck leu a versão traduzida de "Te incomoda ver", de Rilton Junior (revisado pela atriz argentina Paula Cardozo) e, logo em seguida, foi exibido vídeo homônimo, em português, em que o Poeta com P de Preto canta dois poemas de sua autora.

A recepção foi excelente. 
A poesia pulsante da juventude, a forma de escrita e a ênfase na luta contra todos os crimes e opressões chamaram especial atenção de escritores e poetas de várias partes do mundo que estavam no parlamento de escritores. O público ficou interessado em ler os poemas em espanhol, o que fortaleceu o desejo de tradução do livro e de expandir sua divulgação em outros países latino americanos.

Para Valdeck Almeida de Jesus esta foi “Uma das maiores alegrias de minha vida (mesmo tendo perdido meu irmão Valdir Almeida de Jesus - Dida, na mesma semana que estou no XVI Parlamento Internacional de Escritores da Colômbia). Apresentar o livro Poéticas Periféricas para um público heterogêneo, composto de poetas, pesquisadores, escritores, professores de vários países do mundo. E denunciar o genocídio, e demonstrar que a poesia salva vidas. Obrigado poetas e poetas das quebradas, meu coração está batendo mais forte e rápido. E tudo isso com o apoio incondicional da amiga Rita Pinheiro, companheira dessas caminhadas literárias...”.

Ao final, o poeta repetiu a frase símbolo do parlamento:

"Si hablas, mueres; si no dices nada, también mueres; Así, pues, habla y muere" (Tahar Djaout), que pode ser lida em tradução livre como: "Se falas, morres; se não dizes nada, também morres; Assim, pois, fala e morre"... e fez uma paródia:

"Se escreves poesia, morres;
Se não escreves, morres;
Então, escreva, faça denúncia,
Mude o mundo,
Não morras,
Se tornes imortal!"
                         (Valdeck A. de Jesus)


Fotos e vídeos: Rita Pinheiro e Paula Cardozo

Álbum de fotos do Facebook Clique aqui


Vídeo da apresentação Clique Aqui

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Mesa Farta de Literatura Negra e Periférica na Casa do Benin



Literatura e Culinária enriquecem o cardápio de atividades da
Casa do Benin durante a 2ª FLIPELÔ

Entre os dias 09 e 12 de Agosto, a Casa do Benin (Pelourinho) se junta à movimentação da 2ª FLIPELÔ e oferece ao público uma programação especial que envolve literatura, culinária, música e muito mais. Com destaque para a produção literária negra e da periferia da cidade, a mesa da Casa do Benin será, literalmente, bem servida. A comida afrodiaspórica da chef Angélica Moreira, do Ajeum da Diáspora, dará o sabor para rodas de conversas literárias, performances poéticas, apresentações musicais, além de um encontro de saraus e de um slam (batalha poética). Também acontece uma feira livre com livros e produtos afins.

A Casa do Benin é um dos espaços culturais administrados pela Prefeitura Municipal de Salvador, através da Gerência de Equipamentos Culturais (GECULT) da Fundação Gregório de Mattos (FGM). Assumindo a idealização e coordenação geral da iniciativa, o gerente da GECULT, Chicco Assis, explica que a participação da Casa do Benin na Festa Literária exalta dois expoentes da literatura soteropolitana – a produção literária negra e das periferias.Segundo o gerente, “Salvador, que há muito se destaca no cenário literário nacional e internacional, graças a obra de inúmeros dos seus escritores negros, tem sido bastante fortalecida atualmente pelos movimentos que tem acontecido nas periferias da cidade, capitaneados especialmente pela juventude negra, através saraus, slams e outros acontecimentos”.

O espaço, que já havia participado da edição anterior da FLIPELÔ, ainda que de forma mais tímida, com contações de história e lançamento de livros, pretende atrair para o evento um público específico formado em sua maioria por artistas e outras pessoas que se interessam pelos motes que serão valorizados pelas atividades propostas. Assis complementa ainda que “sendo a Casa do Benin um espaço aglutinador e difusor das relações culturais estabelecidas entre a Bahia e a África, a sua participação na Festa Literária, enaltece a poética da negritude e das periferias. Com isso, os laços do espaço com a ancestralidade afrodiaspórica é revalidado, além de uma grande contribuição para debates de extrema urgência na atualidade, como o combate ao racismo, à intolerância religiosa e ao extermínio da juventude negra que ainda insistem em nos rodear”.

Nos quatro dias de programação, o acervo da Casa do Benin, com obras coletadas por Pierre Verger em expedições à África, estará aberto à visitação sempre das 10 às 17h. No primeiro dia, 09, quinta-feira, o grupo Gangara realiza uma roda de capoeira. Já na sexta, dia 10, às 19h, as editoras Organismo e Segundo Selo realizam a primeira roda de conversas sobre Literatura Negra Contemporânea e Processos Criativos, coordenada por Silvânia Carvalho e que contará a participação dos autores baianos Davi Nunes, Vânia Melo e Alex Simões.

No sábado e no domingo, dias 11 e 12, das 10 às 17h, acontecerá no Pátio da Casa do Benin, a PeriFeirAfro Literária e, que tem a proposta de expor e comercializar de livros e produtos afins, além de promover sessões de autógrafos de escritores e escritoras negras e da periferia. Já estão confirmas as participações das editoras baianas Organismo, Segundo Selo, Galinha Pulando e da carioca Malê.
   
O sábado será o dia da Ocupação Poéticas Periféricas, liderada pelo poeta Valdeck Almeida, do selo Galinha Pulando. Além da PeriFeirAfro, a partir de 11h, acontece o Ajeum Lítero-Sonoro, com a chef Angélica Moreira e seu Ajeum da Diáspora apresentando e servindo um suculento Cozido, acompanhado de entradas e de batidas preparadas com coco, tamarindo e maracujá, batizadas de Fufu, Dedeu e Jajá. O almoço será servido ao som de Música Preta Preriférica, set list especial que será discotecado pelo DJ Gug Pinheiro. Às 13h, acontece o Sarau Poéticas Periféricas com integrantes do livro recém lançado que reúne 100 jovens poetas da periferia, que Almeida chama de “as novas vozes da poesia soteropolitana”. Às 14h, acontece mais uma roda de conversas, com o tema: A Poética Periférica no Centro da Literatura Sorteropolitana, com a participação dos poetas Gisele Soares, Sandro Sussuarana, Samuel Lima, Luz Preta Marques, Fabrícia de Jesus e Rilton Júnior. E a partir das 15h, acontece o ápice da ocupação com um Encontro de Saraus, uma roda poética com representantes dos mais importantes saraus e coletivos poéticos da cidade – Sarau Bem Black, Sarau da Onça, Sarau do Cabrito, Sarau do JACA, Sarau da Raça, Sarau Bairro da Paz Vive e Coletivo Pé Descalço.

Para finalizar a programação, no domingo, além da PeriFeirAfro, será a vez do poeta Nelson Maca e seu Candomblacksia capitanearem a Ocupação Dia Preto, se preto ele for! A partir das 11h, acontece mais um Ajeum Lítero-Sonoro. Para este dia, a chef Angélica Moreira promete servir um dos pratos mais cobiçados no Ajeum da Diáspora, o Efó, que poderá ser acompanhado de Peixe ou Frango. E, nas pick-ups de DJ Gug Pinheiro, muita Música Preta Brasileira.Às 13h: acontece a apresentação do CandomBlackesia: Axé e Poesia na Batida, que na Flipelô anterior atraiu uma multidão. Nelson Maca & Afro-Power-Trio: Dj Gug, João Teoria e Mestre Jorjão Bafafé realizam uma performance afro-poética e musical que conta com a participação de convidados especiais: Alexandra Pessoa, Lee27, Vera Lopes e Netas de Francisca: Lucia Santos e Luiza Gonçalves. Já 14h, as atrizes Vera Lopes e Emile Lapa apresentam Letras e Vozes de Mulheres Negras, uma performance que promove o diálogo entre poemas de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo. Às 15h, acontece a roda de conversas Escrita Atual da Bahia Preta, com os escritores e escritoras que participam da PeriFeirAfro Literária. O encerramento, às 16h, fica por conta da Free Pelô: Slam dos Slans, que promoverá uma batalha poética entre representantes de importantes slams que acontecem em Salvador – Slam da Onça, Slam Lonan, Slam das Minas e Slam da Raça.

O acesso à Casa do Benin é gratuito. Os produtos das feiras serão comercializados a preços acessíveis, e os pratos do Ajeum da Diáspora terão valor de R$30 por pessoa.“A ideia é que o público da Flipelô possa circular pela Casa do Benin, para conhecer o acervo deste espaço e ainda fortalecer a economia negra e periférica”, destaca Chicco Assis.

A programação da Casa do Benin na Flipelô é uma realização da Fundação Gregório de Mattos e da Prefeitura de Salvador. A parceria da Fundação Casa de Jorge Amado, realizadora da Flipelô, bem como das editoras Organismo, Segundo Selo, Malê,  Galinha Pulando, do grupo Candomblacksia, dos poetas Nelson Maca e Valdeck Almeida, e dos diversos artistas e demais profissionais que participam do evento, é de fundamental importância para o sucesso do evento.

SOBRE A CASA DO BENIN
Administrado pela Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos, a Casa do Benin se destaca como um dos principais espaços culturais da cidade no que se refere às relações afrodiaspórica. Inaugurado em 1988, a Casa do Benin tem projeto arquitetônico assinado por Lina Bo Bardi, que preservou a fachada do casarão colonial e internamente promoveu o diálogo da arquitetura antiga com o concreto tão utilizado pela arquitetura moderna. No prédio principal, tem uma sala de exposições permanente que abriga o acervo de peças coletadas pelo fotógrafo e etnólogo Pierre Verger em expedições realizadas pela costa beninense, além de uma sala de exposições temporárias e um auditório. Já no prédio anexo, além de uma sala multiuso e de um terraço com vista privilegiada para o Centro Histórico e de uma cozinha industrial, o pátio abriga a reprodução de edificações beninenses chamada de Tatassomba. No ano em que completa 30 anos, a Casa do Benin retoma o diálogo com a Fundação Pierre Verger, que completa a mesma idade, e preparam para o mês de novembro a abertura de uma exposição que ocupará os diversos espaços da Casa com a obra de Verger, além da realização de diversas atividades relacionadas à cultura afro-brasileira.

SOBRE A 2ª FLIPELÔ 
A 2ª Festa Literária Internacional do Pelourinho – FLIPELÔ insere Salvador, pelo segundo ano consecutivo, no cenário nacional de eventos literários. De 8 a 12 de agosto ocupa diversos espaços do Centro Histórico com uma programação com muita literatura para todos os gostos e idades, além de apresentações teatrais, musicais, exposições e uma rota gastronômica. Realização da Fundação Casa de Jorge Amado, a 2ª FLIPELÔ tem como tema a frase do grande autor baiano “a amizade é o sal da vida” e é em homenagem ao escritor itaparicano João Ubaldo Ribeiro, grande amigo de Jorge Amado. Mais de 50 atividades serão realizadas de forma gratuita e todos estão convidados.

SERVIÇO
O que: Programação da Casa do Benin na Flipelô
Quando: 09 a 12 de Agosto
Onde: Casa do Benin - Rua Baixa dos Sapateiros, 7 - Pelourinho (ao pé da Ladeira do Pelô)
Quanto: Programação Cultural e Visitação – Gratuita, Feira Literária – Livro com preços acessíveis, Ajeum da Diáspora – R$30,00 – Entrada e Prato Principal
Informações:http://www.culturafgm.salvador.ba.gov.br / 3202-7890 (Casa do Benin) / 3202-7823 (ASCOM FGM)


CASA DO BENIN NA 2ª FLIPELÔ
PROGRAMAÇÃO COMPLETA

– QUINTA, dia 09/08
10 às 17h – Visitação à Exposição Permanente do Acervo da Casa do Benin
19h – Roda de Capoeira com o Grupo Gangara
.
– SEXTA, dia 10/08
10 às 17h – Visitação à Exposição Permanente do Acervo da Casa do Benin
19h –Roda de Conversas: Literatura Negra Contemporânea e Processos Criativos – Roda de Conversas coordenada por  Silvânia Carvalho, com a participação dos autores: Davi Nunes, Vânia Melo e Alex Simões. Organizado pelas editoras Organismo e Segundo Selo.

– SÁBADO, dia 11/08
10 às 17h – Visitação à Exposição Permanente do Acervo da Casa do Benin e PeriFeirAfro Literária – Exposição e venda de livros e produtos afins, com sessão de autógrafos de escritores e escritoras da periferia. Editoras convidadas: Organismo, Segundo Selo, Malê, Galinha Pulando e outras.

A partir de 11h – Ajeum Lítero-Sonoro – A chef Angélica Moreira e seu Ajeum da Diáspora – apresenta e serve o prato do dia: Cozido. DJ Gug Pinheiro discoteca Música Periférica Brasileira

A partir de 13h – Ocupação Poéticas Periféricas – organizada por Valdeck Almeida e pela Editora Galinha Pulando

13h – Sarau e lançamento do livro Poéticas Periféricas: A nova voz da poesia Soteropolitana, com a participação de poetas da coletânea.

14h – Roda de Conversas: A Poesia Periférica no Centro da Literatura Sorteropolitana, com a participação dos poetas Gisele Soares, Sandro Sussuarana, Samuel Lima, Luz Preta Marques, Fabrícia de Jesus e Rilton Júnior.

15h – Encontro de Saraus–Roda poética com representantes de importantes saraus e coletivos poéticos da cidade – Sarau Bem Black, Sarau da Onça, Sarau do Cabrito, Sarau do JACA, Sarau da Raça, Sarau Bairro da Paz Vive e Coletivo Pé Descalço.

–  DOMINGO, dia 12
10 às 17h – Visitação à Exposição Permanente do Acervo da Casa do Benin PeriFeirAfro Literária – Exposição e venda de livros e produtos afins, com sessão de autógrafos de escritores e escritoras da periferia. Editoras convidadas: Organismo, Segundo Selo, Malê, Galinha Pulando e outras.

A partir de 11h – Ajeum Lítero-Sonoro – A chef Angélica Moreira e seu Ajeum da Diáspora – apresenta e serve o prato do dia: Efó, com peixe ou com frango. DJ Gug Pinheiro discoteca Música Preta Brasileira

13h – CandomBlackesia: Axé e Poesia na Batida Performance afro-poética e musical com Nelson Maca & Afro-Power-Trio: DjGug, João Teoria e Mestre Jorjão Bafafé e convidados: Alexandra Pessoa, Lee27, Vera Lopes e Netas de Francisca: Lucia Santos e Luiza Gonçalves

14h – Letras e Vozes de Mulheres Negras– Vera Lopes e Emile Lapa apresentam performance com diálogo entre poemas de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo

15h – Roda de Conversas:Escrita Atual da Bahia Preta– Roda de conversa com escritores e escritoras que participam da PeriFeirAfro Literária

16h: FreePelô: Slam dos Slans – Slam de poesia com representação de slams pioneiros de Salvador – Slam da Onça, Slam Lonan, Slam das Minas e Slam da Raça.



Os poetas do livro "Poéticas Periféricas" devem participar do sarau e das atividades na Casa do Benin: Vinícius Araújo, Gisele Soares, Marcos Paulo Silva, Cairo Costa, Riick Stiller, Camila Ceuta, Alex Bruno, Milica San, Mateus Skyjin, Taíssa Cazumbá, Preto Jhoy, Samuel Lima, Breno Silva, Isadora Nascimento, Kelvin Santos, Thi Zion, Dricca Silva, Negreiros Souza, Rilton Junior, Lislia Ludmila, Amanda Quésia, Preto Disgraça, José Cláudio Onofre, Danilo Lisboa, Josue Ramiro Ramalho, Ray Santana, Giovanni Cavalcanti, Conceição Ferreira, Lázaro da Paz, Marivaldo Gomes Gonçalves, Victória Alcântara, Tiago Oliveira Nascimento, David Alves, Gonesa Gonçalves, Lidiane Ferreira, Jennifer Santana, Iago Santana, Ian Santana, Amanda Denis, Ayala Santana, Jenifer Oliveira, Rool Cerqueira, Vanessa Coelho, Jaqueline Ferreira, Mariana Oxente Gente, Kuma França, Lucas Silva, Guy Falcão, Heder Novaes, Pareta Calderasch, Niel Souza, Jackeline Pinto Amor Divino, Pedro Zaki, Pedro Maia, Allison Chaplin, Pedro Lucas, Anajara Tavares, Alan Felix, Andrei Williams, Geilson dos Reis, Udimila Santos, Marina Lima, Gamp, Igi Emi, Indemar Nascimento, Carlos Leleco, Carlos Meneses, Renildo Santos, Celeste Costa, Fabricio Britto e Patric Adler, Davi Mariston, Chirley Pereira, Manuela Ribeiro, Poeta Noite e Mano Jack, Gleide Davis, Zenon Santos, Fabrícia de Jesus, Bia Santana, Júlia Victória Tavares dos Anjos, Evanilson Alves, Diana Manson, Larissa Barros, Ayran Búfalo Reis Yaiá, Adriana Gatto, Michelle Saimon, Zezé Olukemi, Lucas Barbosa, Luan Victor, Luz Marques, Edson Junior, Rafael Pugas, Fabiana Lima, Ludmila Singa, Iaiá Vilanueva, Sandro Sussuarana, Jamile Santana, Yuna Vitória, Adriele do Carmo e Damiana Sá.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Apresentação de Tia Má




Para escrever existem técnicas, orientações, metodologia. E com a prática muita gente consegue desenvolver a escrita. Mas fazer poesia é uma arte que não tem definição. É expressar em palavras aquilo que é vivido no coração.
A poesia pode ser uma declaração de um amor, ou um protesto. São argumentos doces das inquietações que tomam conta de um ser. A questão é que quem faz poesia deixa de ser único para ser coletivo. Um coletivo de ideias que toma conta do papel e explora as mentes. Leva a emoção e reflexão.
Para muitas pessoas escrever poesias é um refúgio, um mecanismo para desabafar suas dores, amores e conquistas. Mas ler poesias escritas por outra pessoa é ter a chance de encontrar sensações parecidas ditas por outro alguém, mas que te tocam com a mesma profundidade.
Mesmo sendo palco de diversas manifestações culturais, a periferia, ou melhor, as periferias ainda permeiam no imaginário popular como um ambiente inóspito e violento. É a dureza da falta de serviços públicos, do olhar alheio estereotipado, que inspira a criação de poesia.

Sim, a poesia mora em todos os lugares e brota da mente de jovens que estão sedentos por transformação. A poesia é uma arma poderosa! Sim! Uma ferramenta, um instrumento, que possibilita mudanças, e até mesmo constrói novos destinos.

Maíra Azevedo - Tia Má
Jornalista e Digital Influencer


Dicotomia entre dois mundos




Dicotomia entre dois mundos

Eis que gira, gira, na roda de N gira
Era o regime que se estraçalhava em mil pedaços
Diante do banquete para rei Obaluayê
Era o corpo farto para a morada do seu orixá

Bailava pelo ar
Linda como o mistério
Que reside nas dobras das saias engomadas
No movimento do vento entre a mão e o Rum

Está tudo sob outro controle
Sob a tutela de algo mais importante que você
Que seus códigos, que sua “ideologia”
Porém, diante da tua vontade

Sola grossa dos pés descalços
É o giro em outro compasso
Muito poder diante de tu, preta singela
Eis o seu corpo, mas não as suas regras.

Zezé Olukemi é Grafiteiro, poeta, Design Gráfico e Graduando no curso de Tecnologia em Jogos Digitais pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Toda a sua produção traz como característica o engajamento político nas causas raciais. Foi conselheiro de Políticas Culturais do Município de Salvador e é um dos idealizadores dos Saraus Erótico e Boom Poético.

Réu Confesso




Réu Confesso

Tua crespura me abona
Vou de carona no balanço do teu volume
De “carona”, me encara
Me come!?
Qual o teu nome?
Preta...
Me tara teu lume
Treta...
Que barato... minha cara
Quando me olhas toda bicuda
Que teu silêncio não me iluda
Que teu sorriso me acuda
Que o meu, recíproco, apeteça.
Ah...
Tomara que eu mereça!
Chuto letras
Mas dou topada em tuas linhas
Me alinho
Só letro
Converso
Cem versos
Nenhum te resume
Ah...
Tomara que aconteça!
Apelo pra fé
E pro afeto
Mas fico quieto...
É onde eu peco
Me deixa pecar
Chega mais perto
E eu me confesso;
Réu em amar”

Zenon Santos é músico, poeta, militante da causa negra, tem o samba como filosofia, as melodias guias e como inspiração a vida. É a liberdade das coisas sentidas.

Transfiguração




Transfiguração
(Yuna Vitória)

Se me percebo, me questiono.
Se me questiono, me perco.
Se me perco, me acho.
Se me acho, me toco.
Se me toco, me percebo.
E tudo recomeça.
E tudo é vã conversa.
Ou vil engano,
ou grã acerto,
mas sempre um firme acordo
de fins e recomeços,
onde cada tempo é O Tempo
e todo T maiúsculo é uno,
verdadeiro,
dispensando a obrigação
de servir ao lado A
ou ao lado B
pois no alfabeto do ser
nasceu entre o fim e o meio,
no seio do início de um anseio
marcado por
trans
figura
ação.

Yuna Vitória é cantora, compositora e poetisa transgênera. Baiana, natural de Salvador, apaixonada pela transdisciplinaridade, aborda em seu trabalho artístico a generificação dos corpos e suas performatividades. Graduanda em Artes pela Universidade Federal da Bahia, é ativista dos estudos de gênero e diversidade, área de concentração de suas pesquisas e produções.

Cosme e Damião




Cosme e Damião
(Vinícius Araújo)

Família tanto faz, tanto fez
Era uma vez
Gêmeos?, essa história é familiar
Olha lá, a menina tá vomitando de novo
Embora o mais novo... quer sair primeiro.
Desespero exorbitante,
Sua família não vai aceitar,
Correu pro mar
Depois de chorar, ela pediu desculpa.
Hoje ela se culpa
O chá não fez efeito
Pra todo defeito, os dois continua brigando
Família é igual a mãe,
Mãe é amor espelho sem reflexo
Ela fazia amor, e ele só sexo
Esperto... vai ser espertado pelos espinhos
Renegou até rosas artificiais,
Artes marciais, praticam sozinhos.
Precisam de carinho
De um pai, ama o próximo,
É tanto ódio, esqueceu, ele é seu irmão!
Um embrião, querendo ser melhor que o outro,
Disputando ainda com o cordão
Mesmo sem ter sido batizado.
Tá na roda, então deixa completar a gestão
A pressa é inimiga da perfeição
A Bíblia ou o Alcorão?
A paz sempre será uma ilusão.
Quem não tá morto vai morrer
Sentiu se mexer
Mesmo a gravidez sendo psicológica
Descendente de alcoólatra
A educação tava travada
Conversa privada
Nasceram duas facções.
Oxente, minha gente
Isso tá contaminando nossa mente
Parente não vê parentes, só os turistas.
A Síria visitou a Bahia de toda Europa
E os santinhos das eleições.
É tanto santo corrompido por cifrão
Que agora Cosme tá trocando tiro com seu próprio irmão,
Querendo tomar a boca de Damião
Ficção não, facção, possa crê,
Pois um era do BDM o outro da CP
Ficção não, facção
Uma tinha a tatuagem da caveira, e o outro do escorpião
Reflexo da alienação.
Essa é minha história, sobre os gêmeos:
Cosme e Damião.

Vinícius Araújo é poeta e morador do Bairro da Paz. Começou a escrever poesia em 2010 através do rap, quando formou o grupo Delito Poético. Por conviver algumas experiências na favela (Como tiro de raspão na cabeça etc...), hoje manifesta uma escrita bastante marginal, em protesto contra todo tipo de opressão que um jovem periférico passa, e denunciando o contraste social.

Não me venha com seus ideais tratando meu passado como um nada


Não me venha com seus ideais tratando meu passado como um nada

Vitimista não, vitimizada por esta sociedade branca que trata racismo como uma piada

Os gritos de dores da senzala ainda ecoam em meus ouvidos, quando entro na loja e me olham torto;
Quando falam que meu cabelo é meio exótico e que não seria apropriado para o meu RG.

Os gritos da senzala ecoam em minha mente
Quando a solidão da mulher preta é tratada como inexistente.

As chibatadas da casa branca até hoje dói
Racha minha pele
Parte meu coração
Feito porradas da PM nas costas do meu irmão

Mas hoje, os gritos da senzala se transformaram em meus gritos por justiça, que com a força dos meus ancestrais, que sofreram lá atrás, permaneço nessa guerra sustentada pelos meus Orixás.

Chorar nunca mais
Sofrer nunca mais
Pois em meu coração carrego a resistência que Odoyá me traz!

Victória Alcântara é mulher negra, atriz, poetisa e feliz. Moradora da comunidade de São Lázaro, onde faz atuação comunitária diariamente. A arte a escolheu e vive em Victória desde outras vidas. Filha das águas, neta das matas, em uma eterna busca entre o fogo e as ondas que correm em suas veias.