quinta-feira, 7 de junho de 2018

Enquanto Isso




Enquanto Isso
(Ayala Santana)

As suas convicções não alteram meu jeito de ser
Não venha me falar ao que eu devo pertencer, quem eu devo conhecer, temer e morrer.
Não sou Tomé, que precisa ver pra crer
Não venha me vender as suas verdades
Anulando assim tudo aquilo que eu sinto.
Pressinto, me envolvo em energias
Ressinto por ter te recitado a poesia, da minha alma nua
A minha crua verdade, transformo em lírica
A poesia me forma de forma empírica
Deforma parasita, ativa anticorpos
É a minha defesa contra esses seres sanguessugas
Querem corpos negros somarem as estatísticas
Querem o sangue preto vermelho nas redes sensacionalistas
Querem ressaltar opressor como herói
Eles querem dar a voz a mais um novo algoz
Enquanto isso, mais um corpo negro tomba
Enquanto isso, mais uma mulher negra tomba,
Enquanto isso, mais a minha favela sangra
Acendendo vela pra quem jaz e nem vê a sombra

Ayala Santana faz parte do coletivo ZeferinaS. A poesia além de ser o seu combustível, é a formadora do seu ser. Em cada palavra, revolta, sentidos e sentimentos. É o grito, o silêncio, o eco. É a semente formadora de consciência e expressividade. Apenas é, no sentido mais puro e impuro de ser.

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